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Gabriel Dias — Psicólogo Clínico CRP 06/202717

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Ansiedade

Crises de pânico — o que são e como agir

Crises de pânico podem assustar, mas têm explicação clínica clara. O que acontece no corpo, quando procurar emergência e como a TCC trata.

9 min de leituraCRP 06/202717

O que é uma crise de pânico

Uma crise de pânico é uma resposta de alerta máximo do sistema nervoso que dispara sem ameaça externa proporcional. Em segundos, o corpo entra em modo de luta-ou-fuga completo: coração acelera, respiração se intensifica, pupilas dilatam, mãos suam, pode haver formigamento, tontura, sensação de irrealidade.

Para quem está vivendo, é assustador. A sensação mais comum descrita é "vou morrer" ou "estou enlouquecendo". Nenhuma das duas é verdade — mas o cérebro, naquele momento, está convencido.

O que acontece no corpo, biologicamente

O sistema nervoso autônomo dispara o eixo HPA (hipotálamo-pituitária- adrenal) que libera adrenalina e cortisol. Essas hormonas preparam o corpo pra reagir a uma ameaça: mais oxigênio, mais glicose, sangue redirecionado pros músculos grandes.

A maior parte dos sintomas físicos da crise vem dessa cascata. Eles não são perigosos (por mais que pareçam). E passam sozinhos geralmente em 10 a 30 minutos — mesmo sem nenhuma intervenção. O corpo não consegue sustentar alerta máximo indefinidamente.

Por que algumas pessoas têm crises e outras não

Não há causa única. Combinação de:

  • Predisposição genética — sistema nervoso mais sensível, herdado.
  • Aprendizagem — experiências passadas que ensinaram o corpo a responder com pânico em certos contextos.
  • Gatilhos atuais — período de muito estresse, mudanças importantes, substâncias (cafeína em excesso, álcool, drogas).
  • Sensibilidade interoceptiva — algumas pessoas notam mais as sensações internas do corpo, e isso pode amplificar o ciclo.

Como agir durante uma crise

Estratégias que ajudam a passar o pico:

  1. Lembre que vai passar — crises de pânico são autolimitadas. Sintoma intenso ≠ situação perigosa.
  2. Respiração diafragmática — inspire 4 segundos pelo nariz, segure 2, expire 6 pela boca. Repita por alguns minutos. Reduz a hiperventilação que alimenta os sintomas.
  3. Grounding 5-4-3-2-1 — nomeie 5 coisas que você vê, 4 que ouve, 3 que toca, 2 que cheira, 1 que prova. Tira o foco do corpo interno.
  4. Não tente "lutar" contra a crise — quanto mais você resiste, mais ela se mantém. Aceitar que está acontecendo (sem se entregar a ela) costuma encurtar.
  5. Se possível, fique no lugar — sair correndo ensina ao cérebro que aquele lugar era perigoso e prepara crises futuras lá.

Como a TCC trata transtorno de pânico

O transtorno de pânico (quando crises se repetem + medo persistente de ter outras) é diferente de uma crise isolada. Tem protocolo TCC específico, com forte evidência de eficácia.

Componentes do tratamento

  • Psicoeducação detalhada — entender a fisiologia das crises reduz o medo do medo (que é o que mantém o quadro).
  • Reestruturação cognitiva — investigar as interpretações catastróficas dos sintomas físicos.
  • Exposição interoceptiva — provocar sensações físicas semelhantes às da crise em ambiente controlado, pra que o cérebro aprenda que elas não são perigosas. Pode parecer contraintuitivo; é altamente eficaz.
  • Exposição a situações evitadas — lugares ou contextos que viraram associados a crises.
  • Prevenção de recaída — reconhecer sinais precoces e ter plano pronto.

Medicação ajuda?

Em quadros moderados a severos, sim — geralmente em combinação com psicoterapia. Quem avalia e prescreve é o psiquiatra. Em quadros mais leves, TCC sozinha frequentemente é suficiente.

Próximos passos

Se você está tendo crises e quer entender se vale procurar acompanhamento, a avaliação inicial é gratuita — 50 minutos, online, sem compromisso.

Escrito por

Gabriel Dias de Lima

Psicólogo Clínico · CRP 06/202717 · Pós em TCC pelo IPCS Campinas

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